{"id":161,"date":"2024-11-27T17:32:15","date_gmt":"2024-11-27T17:32:15","guid":{"rendered":"https:\/\/eventos.ese.ips.pt\/slbei2025\/?page_id=161"},"modified":"2024-11-28T18:36:34","modified_gmt":"2024-11-28T18:36:34","slug":"conhecimento-politica-e-comunidade-na-educacao-das-criancas-e-na-formacao-de-profissionais","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/eventos.ese.ips.pt\/slbei2025\/index.php\/conhecimento-politica-e-comunidade-na-educacao-das-criancas-e-na-formacao-de-profissionais\/","title":{"rendered":"Conhecimento, pol\u00edtica e comunidade na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e na forma\u00e7\u00e3o de profissionais"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Organizar o VIII Semin\u00e1rio Luso Brasileiro de Educa\u00e7\u00e3o de Inf\u00e2ncia e o IV Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Inf\u00e2ncias e Educa\u00e7\u00e3o configura-se como uma oportunidade crucial para pensar criticamente o lugar dos processos de educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as em Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique, Portugal e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe. Realizar-se no Instituto Polit\u00e9cnico de Set\u00fabal \u00e9 o mote para pensar educa\u00e7\u00e3o numa escola que nasceu sem teto, enquanto projeto pol\u00edtico, fundado em valores de democracia participativa e cr\u00edtica, com as crian\u00e7as e as fam\u00edlias, a funcionar em e com espa\u00e7os da comunidade, acolhida por autarquias, associa\u00e7\u00f5es, museus e outras. \u201cUma forma\u00e7\u00e3o que procura fazer da constru\u00e7\u00e3o do ser e do estar dimens\u00f5es fundamentais do saber e do saber fazer em educa\u00e7\u00e3o\u201d como afirmou Rui D\u2019Espiney em 1990 na sess\u00e3o solene de b\u00ean\u00e7\u00e3o das pastas do primeiro grupo de educadoras\/es de inf\u00e2ncia e professoras\/es do 1.\u00ba Ciclo formadas pela Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Set\u00fabal, ao lado de Cristina Figueira que acrescentou o objetivo de \u201cformar professores felizes, que se sentissem bem consigo e na rela\u00e7\u00e3o com os outros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes anos, de 2024 e 2025, de m\u00faltiplas celebra\u00e7\u00f5es (100 anos do nascimento de Am\u00edlcar Cabral, 330 anos da morte de Zumbi dos Palmares, 50 anos do 25 de abril e das independ\u00eancias dos pa\u00edses africanos de l\u00edngua oficial portuguesa, 40 anos da ESE-IPS e do Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da UFAL, 50 anos da Universidade do Minho), mas tamb\u00e9m de tantas cat\u00e1strofes e amea\u00e7as (guerras na Europa, em \u00c1frica e no M\u00e9dio Oriente marcadas por constante infantic\u00eddio; crises clim\u00e1ticas, ecol\u00f3gicas e existenciais com impactos exponenciais nas comunidades; questionamento da ci\u00eancia e manipula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o; tend\u00eancias populistas e de perda de direitos), escolhemos dedicar este encontro intercontinental ao debate sobre conhecimento, pol\u00edtica e comunidade na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e na forma\u00e7\u00e3o de profissionais que as acompanham.<\/p>\n\n\n\n<p>A obsess\u00e3o com a mensurabilidade da realidade e com a permanente recolha de evid\u00eancias t\u00eam marcado a agenda e o ritmo de vida dos contextos de educa\u00e7\u00e3o, das crian\u00e7as, da investiga\u00e7\u00e3o, ensombrando o que se pode designar de conhecimento pertinente de que nos fala Edgar Morin \u2013 aquele conhecimento que permite compreender \u201cproblemas cada vez mais multidisciplinares, transversais, multidimensionais, transnacionais, globais e planet\u00e1rios\u201d (2000, p.36).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cQuando se trata de educa\u00e7\u00e3o, nenhum pol\u00edtico tem d\u00favidas, nenhum comentador se engana, nenhum portugu\u00eas hesita. [. . .]. O que \u00e9 evidente, mente. Evidentemente.\u201d (N\u00f3voa, 2005, p. 14). Com cerca de 20 anos, esta afirma\u00e7\u00e3o surge com um vigor renovado e com um lastro que se alarga a outras \u00e1reas da atividade humana. Tal como a m\u00e9dica e a pediatra, a enfermeira, a assistente social ou a arte-educadora, \u201cnunca precisou o professor progressista estar t\u00e3o advertido quanto hoje em face da esperteza com que a ideologia dominante insinua a neutralidade da educa\u00e7\u00e3o\u201d (Freire, 1996, p. 38).<\/p>\n\n\n\n<p>Perante as diversas press\u00f5es provocadas pela falta de profissionais qualificados que atendam \u00e0s necessidades., pela sua desvaloriza\u00e7\u00e3o e desprofissionaliza\u00e7\u00e3o, consideramos a pertin\u00eancia de conhecer, analisar e compreender as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de a\u00e7\u00e3o de profissionais da inf\u00e2ncia, bem como as caracter\u00edsticas e oportunidades da sua forma\u00e7\u00e3o. Para ultrapassar as amea\u00e7as de precariza\u00e7\u00e3o das vidas, precisamos de nos conhecer e reconhecer como comunidades solid\u00e1rias e \u00e9ticas em torno do permanente trabalho de constru\u00e7\u00e3o de um sentido de mundo comum. \u201cAprender na vida, aprender junto do nosso povo, aprender nos livros e na experi\u00eancia dos outros. Aprender sempre\u201d (Cabral, 1977, p. 150).<\/p>\n\n\n\n<p>Certos de que a escola, como o jardim-de-inf\u00e2ncia, a comunidade como a cidade, a floresta como o parque podem emergir como campo de possibilidades onde \u201ctemos a oportunidade de trabalhar pela liberdade, de exigir de n\u00f3s e dos nossos camaradas uma abertura da mente e do cora\u00e7\u00e3o que nos permita encarar a realidade ao mesmo tempo em que, colectivamente, imaginamos esquemas para cruzar fronteiras, para transgredir\u201d (hooks, 2019, p. 273), abrimos este evento \u00e0 discuss\u00e3o sobre conhecimento, pol\u00edtica e comunidade na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e na forma\u00e7\u00e3o de profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A integra\u00e7\u00e3o entre conhecimento, pol\u00edtica e comunidade \u00e9 essencial para uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade que n\u00e3o apenas transmita conte\u00fado, mas tamb\u00e9m forme cidad\u00e3os cr\u00edticos, conscientes e capazes de atuar de maneira transformadora na sociedade. A educa\u00e7\u00e3o de inf\u00e2ncia, aliada a pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, tem o potencial de criar bases s\u00f3lidas para o desenvolvimento humano e social, enquanto a forma\u00e7\u00e3o de profissionais bem preparados e engajados \u00e9 a chave para manter esse ciclo de transforma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua.<\/p>\n\n\n\n<p>O Semin\u00e1rio Luso-Brasileiro de Educa\u00e7\u00e3o de Inf\u00e2ncia (SLBEI) e o Congresso Luso Afro-Brasileiro de Inf\u00e2ncias e Educa\u00e7\u00e3o (CLABIE) v\u00eam-se constituindo como importantes espa\u00e7os de encontros e partilha de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e de pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas ao longo dos anos. Desta vez, o VIII SLBEI e o IV CLABIE prop\u00f5em um conjunto de eixos tem\u00e1ticos que permitir\u00e3o acolher trabalhos que, de diferentes modos e com diversas abordagens, contribuir\u00e3o para densificar o debate em torno do tema da presente edi\u00e7\u00e3o, dando continuidade \u00e0s anteriores. Assumindo como objetivos principais destes eventos fomentar a partilha e a discuss\u00e3o de trabalhos de pesquisa e relato de experi\u00eancias no campo da educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as de 0 a 10 anos de idade, reunindo parceiros institucionais, pesquisadores, profissionais e estudantes, propomos o seguinte conjunto de eixos tem\u00e1ticos:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>O l\u00fadico, o art\u00edstico e o liter\u00e1rio na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as;<\/li>\n\n\n\n<li>Saberes das crian\u00e7as sobre o mundo e a sociedade;<\/li>\n\n\n\n<li>Desemparedamento das inf\u00e2ncias e direito \u00e0 cidade e ao meio ambiente;<\/li>\n\n\n\n<li>Conhecimento, forma\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de trabalho de profissionais das inf\u00e2ncias;<\/li>\n\n\n\n<li>Inf\u00e2ncias em contextos de lutas, resist\u00eancias e deslocamentos;<\/li>\n\n\n\n<li>Inf\u00e2ncias, decolonialidades e marcadores sociais da diferen\u00e7a;<\/li>\n\n\n\n<li>Vidas, corpos e experi\u00eancias de inclus\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Participa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edticas p\u00fablicas;<\/li>\n\n\n\n<li>Tecnologias, democracia e risco digital;<\/li>\n\n\n\n<li>Comunidades, fam\u00edlias e (bem) comum.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Oferecendo tempo e espa\u00e7o para di\u00e1logos de refer\u00eancia no campo da pesquisa e da forma\u00e7\u00e3o especialmente para educadoras, professores, gestores, estudantes de licenciatura, mestrado, doutoramento e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de outros profissionais das diversas \u00e1reas que atuam com crian\u00e7as desde beb\u00e9s, em creches, jardins-de-inf\u00e2ncia, escolas e demais institui\u00e7\u00f5es, o SLBEI e o CLABIE, em conjunto, procuram ser um evento que d\u00e1 visibilidade \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica qualificada nas \u00e1reas dos Estudos da Inf\u00e2ncia e das Pedagogias praticadas nas institui\u00e7\u00f5es educativas, para a constru\u00e7\u00e3o de uma rede que envolve pesquisadores, pesquisadoras e profissionais das inf\u00e2ncias luso-afro-brasileiras\/os.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cabral, A. (1977). <em>Unidade e Luta II. A pratica revolucion\u00e1ria.<\/em> Seara Nova.<\/p>\n\n\n\n<p>D&#8217;Espiney, R., Figueira, C., &amp; Carvalho, R. F. (1990). Sempre ao vosso dispor, afectuosamente somos. <em>Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Set\u00fabal. Ben\u00e7\u00e3o das Pastas. .<\/em> N\u00e3o publicado.<\/p>\n\n\n\n<p>Freire, P. (1996). <em>Pedagogia da autonomia. Saberes necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica educativa.<\/em> Paz e Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>hooks, b. (2019). <em>Ensinando a transgredir &#8211; a educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade.<\/em> Martins Fontes.<\/p>\n\n\n\n<p>Morin, E. (2000). <em>Os sete saberes necess\u00e1rios \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do futuro.<\/em> Cortez\/UNESCO.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3voa, A. (2005). <em>Evidentemente. Hist\u00f3rias da educa\u00e7\u00e3o.<\/em> Edi\u00e7\u00f5es Asa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Organizar o VIII Semin\u00e1rio Luso Brasileiro de Educa\u00e7\u00e3o de Inf\u00e2ncia e o IV Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Inf\u00e2ncias e Educa\u00e7\u00e3o configura-se como uma oportunidade crucial para pensar criticamente o lugar dos processos de educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as em Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique, Portugal e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe. 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